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O dinheiro, tal como tudo o resto, tem o valor que lhe quisermos atribuir, é uma energia neutra. É o nosso pensamento e, consequentemente, as nossas acções ou a falta delas, que vão conduzir a que este seja mais abundante ou mais escasso na nossa vida.

O pensamento comanda a acção, por isso, aquilo em que acreditamos e mantemos activo na nossa mente, irá moldar o nosso futuro. Assim, a forma como entendemos o dinheiro e o que este significa para nós faz toda a diferença no seu fluxo e abundância.

Para uns, é o retorno da actividade que exercem, um ganho activo pelo bem ou serviço que prestaram a outrem. Para outros, é um bem passivo, pois criaram ou dispõem de meios que geram utilidade a terceiros, promovendo a satisfação das suas mais variadas necessidades.

A forma como escolhemos olhar para esta moeda de troca ditará, não só o seu fluxo de entrada, como também, a sua permanência e constância.

Há inúmeras formas de gerar valor na sociedade, colmatando necessidades e, através delas, criar diversas fontes de rendimento. A nossa criatividade é o limite. A diferença é que, muitas vezes, esse limite é curto porque, mais uma vez, o nosso pensamento é limitado por crenças negativas enraizadas na nossa mente associadas ao dinheiro. Essas crenças advêm, não só, da nossa educação, da nossa própria experiência, mas também, daquilo que vemos e ouvimos à nossa volta, isto é, do tipo de informação com que nos cercamos (e que, por vezes até, procuramos).

Quando nos responsabilizamos pelo rumo da nossa própria vida, facilmente entendemos no que toca ao dinheiro que, somos também, responsáveis pela nossa literacia financeira, o que não é mais do que aprender a gerir este recurso de que dispomos de forma eficaz e eficiente.

Somos seres racionais, mas que na grande maioria das vezes, colocamos a razão de lado e somos movidos pela emoção. Assim acontece no nosso dia a dia quando fazemos compras e optamos por um produto em detrimento de outro, seja porque a campanha de marketing converteu a nossa mente, seja porque em nossa casa sempre se usou ou porque um familiar querido teria optado por aquele produto ou ainda porque achamos que precisamos mesmo daquele item para suprir o sentimento de inferioridade, de falta de auto-estima, para mascarar alguma carência ou por concorrência com algum colega ou vizinho. Isto, genericamente, acontece um pouco com todos nós.

Facilmente reconhecemos que, por vezes, caímos no erro de uma compra por impulso.

E que impulso terá sido esse?

Que necessidade procurávamos satisfazer com aquela compra?

Por breves minutos deixamos a nossa parte emocional assumir o controlo e uma emoção latente e outrora reprimida emergiu para assumir o comando e marcar o código do cartão multibanco num qualquer terminal de pagamento. E que sensação de poder isto nos dá!

O reverso da medalha é que o dinheiro é um recurso finito e, como tal, se deixarmos a emoção à solta durante muito tempo, mais tarde ou mais cedo, teremos de prestar contas à razão, com a forte possibilidade do saldo ser negativo.

Assim, tomámos uma decisão emocional que depois tentamos racionalizar, procurando justificações e argumentos. É exemplo disso quando, já com três televisões em casa, se compra uma quarta porque é de última geração ou porque é igual ou superior à do colega.

Facilmente confundimos a vontade de ter algo com a sua real necessidade. Será que nos faz realmente falta mais uma televisão? Aquele telemóvel que acabou de sair ou aquele carro topo de gama? Mais um vestido ou mais um par de sapatos?

Se não existisse mais ninguém à face da terra a quem exibir esses artigos de “luxo”, ainda assim, os desejaríamos?

Por vezes, aquilo em que gastamos o nosso dinheiro não vem suprir as nossas necessidades básicas, sendo essas até, algumas vezes negligenciamos, como por exemplo, cada vez que recorremos a fast food em vez de nos alimentarmos de forma equilibrada para que o nosso corpo se mantenha saudável.

Gastamos o nosso dinheiro em coisas que preencham as lacunas e os vazios emocionais que carregamos connosco, seja por baixa autoestima, por comparação com outros, etc.

Da nossa educação e processo de socialização, da nossa experiência pessoal e até da nossa vivência enquanto povo que partilha uma herança histórica e cultural, partilhamos também, uma série de crenças que, muitas vezes, não nos apercebemos, mas que nos são reiteradas diariamente, seja pela nossa família, pelos nossos pares, colegas, televisão, etc. Crenças essas que moldam a nossa visão do mundo e, assim é também, em relação ao dinheiro.

Crenças são ideias em que acreditamos sem questionar a sua validade, é como se sempre tivessem existido na nossa mente. Foram sendo consolidadas ao longo do tempo, passando de geração em geração, remontam a tempos ancestrais e, assim, entendidas como as melhores prácticas, sendo consideradas, em alguns casos, a única ou a melhor forma de fazer as coisas. E isto não podia estar mais errado, não só porque, muitas vezes, são meras limitações autoimpostas sem qualquer fundamento actual que podiam até ter sido válidas no passado, mas que com o avançar do tempo se tornaram obsoletas e, como nós não as atualizámos para novas formas de pensar e agir, continuamos sucessivamente, a atrair os mesmos erros e a cair nos mesmos enganos, como se caminhássemos num labirinto estreito que conduz sempre ao mesmo local.

Assim, frases, ideias, pensamentos limitadores como:

“o dinheiro…

…não nasce nas árvores;

…é a raíz de todos os males;

…é sujo;

…não traz felicidade”;

“pessoas ricas são desonestas ou má pessoas”;

“quem nasce pobre não enriquece”;

“os ricos não entram no céu”;

“dinheiro exige trabalho árduo”;

“as minhas condições não me permitem ganhar dinheiro”;

entre muitas outras, ficam plasmadas no nosso subconsciente e inscritas no nosso ADN de tal forma que, nem nos damos conta da sua existência, só quando damos por nós a repetir frases dos nossos pais, tios, amigos, etc. e paramos para pensar, nos interrogamos: “de onde veio isto? Isto faz sentido? Faz sentido para quem sou hoje e para quem quero ser no futuro?

Para trabalharmos a nossa relação com o dinheiro não basta só a literacia financeira, não adiante muito estudar economia a fundo, dominar todos os conceitos teóricos e ter uma compreensão profunda dos mercados, se nada fizermos relativamente às velhas ideias e hábitos que transportamos no nosso inconsciente. Há que trabalhar as nossas crenças internas, senão haverá sempre recaídas, isto é, quando a crença não é alterada voltamos a cair nos mesmos vícios e a ter os mesmos comportamentos. Muitos são os casos de pessoas que em algum momento da vida se tornaram milionários para, logo depois, perderem tudo o que tinham alcançado pelo modo como fizeram uso desta moeda de troca chamada dinheiro.

Os exemplos de pessoas bem-sucedidas devem servir-nos de inspiração e as suas biografias de modelos sobre os quais devemos reflectir relativamente às decisões e as atitudes que conduziram a tal resultado para que as possamos transpor e adoptar, incorporando-as na nossa vida de forma a que começando com um passinho de cada vez consigamos, também nós, alcançar resultados semelhantes.

Este tipo de atitude é muito mais producente do que invejar e criticar as vidas alheias sem nada fazer para alterar o seu próprio rumo.

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