Procurar

Para estarmos em paz connosco e com a vida é preciso aceitarmos que umas vezes se ganha, outras se perde e que ambas as ocasiões são importantes para seguirmos caminho e tentarmos fazer melhor numa próxima vez.

Tão importante como ter sucesso é todo o percurso que conduz até ele, percurso este que é feito de uma dose de falhas e enganos, de tentativas-erro, de arriscar até acertar. Este é o processo de aprendizagem empírica, através da experiência e que implica que umas vezes se acerte e outras se falhe redondamente, sendo que, o importante é o conhecimento que advém de ambas as situações e de como o iremos aplicar na práctica e a nosso favor daí para a frente.

Este binómio sucesso – fracasso faz parte da dualidade do mundo, em que tudo o que existe tem o seu oposto e cabe-nos a tarefa de encontrarmos entre eles um equilíbrio.

É o erro que nos coloca em contacto connosco mesmos, com os nossos pensamentos, com as nossas potencialidades, com os nossos sentimentos e emoções, despertando em nós a consciência de onde estamos e para onde queremos ir.

É óptimo ter sucesso no que empreendemos, empenharmo-nos para conquistar algo por mérito próprio e evoluir através das escolhas que fazemos, mas que este nunca seja entendido como critério para aferir o nosso valor pessoal. Deverá ser antes um barómetro de que as nossas decisões estão ou não de acordo com quem somos.

Ser ou não bem-sucedido são dois caminhos distintos que nos permitem analisar, caso a caso, se o que nos propomos precisa de mais entrega e dedicação da nossa parte ou se, em virtude de se revelar um autêntico falhanço, não será hora de rumar noutra direcção.

De ambos retiramos experiência e lições importantes.

A corrida ao sucesso tornou-se uma constante na sociedade actual e todos procuramos alcançá-lo através das mais diversas formas, seja na busca constante de conhecimento e actualização através dos estudos ou na procura de um emprego melhor, aperfeiçoando o nosso desempenho, esforçando-nos por alcançar metas e objectivos pessoais e profissionais.

Tudo isto é positivo e benéfico não só a nível individual, como também, para a sociedade no seu todo, sendo que, uma pessoa melhor informada e eficiente será, certamente, útil ao próximo.

No entanto e embebidos nessa ânsia de alcançar mais conhecimento e subir o próximo lance de escadas na hierarquia social, poucas vezes nos colocamos ao serviço do outro e nos perguntamos de que forma podemos realmente contribuir para fazer a diferença na vida de alguém.

Transformou-se o ser para dar lugar ao ter.

Ter sucesso transformou-se em sinónimo de ter coisas, ter estatuto social, ter o respeito e a admiração dos outros. Transformou-se o ser em mero acumulador de objectos exteriores passiveis de serem mensuráveis.

Deixou-se para segundo plano a maestria das relações humanas no que toca à generosidade e à gentileza, valorizando-se ao invés, o quanto se consegue seduzir e manipular o outro, seja no campo profissional, através de vendas agressivas ou na vida pessoal, em relacionamentos tóxicos.

Ralph Waldo Emersen tem uma frase que expressa a humildade e a generosidade de reconhecer no outro tanto quanto em si mesmo, sem o colocar a cima nem abaixo, reconhecendo a impossibilidade de dominar e ser detentor de todo o conhecimento, ele diz: “Todo homem que encontro é superior a mim em alguma coisa. E, na sua particularidade, eu aprendo com ele”. Sem declarar qualquer inferioridade pessoal, concebe a capacidade de manter a mente aberta para aprender sempre um pouco mais com cada pessoa que cruza o seu caminho, pois cada um é mestre na sua própria vida, cada um transporta na sua bagagem as suas experiências, a sua aprendizagem e haverá sempre uma mensagem importante subjacente a cada encontro.

Cada um tem o seu percurso e não nos devemos comparar porque, não só é injusto, como não acrescenta nada de positivo à nossa vida. O que acrescenta é a aprendizagem que fazemos uns com os outros, com o exemplo transporta em si.

Prosperar ou ter sucesso, pouco ou nada tem a ver com a definição que aprendemos e nos habituamos a aceitar, isto é, com a corrida insana, incessante e, muitas vezes, vazia para alcançar metas estabelecidas por terceiros que nunca questionamos e tão pouco têm a ver connosco. Ou com o acumular de bens que, muitas vezes, não necessitamos e servem para nos fazer sentir superiores de alguma forma perante outros, colmatando assim, vulnerabilidades internas.

As nossas crenças são ideias que aceitamos como válidas sem as questionarmos e que aplicamos a todas as situações da nossa vida, sem destrinça por via do hábito.

Assim, convencemo-nos das mais variadas coisas, por norma limitadoras das nossas capacidades e possibilidades. Por vezes, entendemos só existir uma via para as coisas acontecerem, um modo único de as fazer acontecer e não nos permitimos arriscar e errar, quando essa é a via para o verdadeiro sucesso.

A nossa definição de sucesso, poderá variar muito, mas nunca nos devemos esquecer de que somos seres humanos em constante transformação e a viver esta maravilhosa viagem experimental que é a vida na Terra.

Perdemos tanto tempo a tentar alcançar a melhor performance, comparando-nos com este e com aquele sem nos preocuparmos se o que fazemos é realmente útil, se contribui para uma sociedade melhor. Afundamo-nos em informação e vangloriamo-nos com as conquistas que nos destacam dos outros. Se alguém corre uma maratona, só descansamos quando o fizermos duas vezes seguidas.  Mas o nosso valor em nada depende disso.

 “Todo homem que encontro é superior a mim em alguma coisa. E, na sua particularidade, eu aprendo com ele”.

Celebremos o nosso valor que é do tamanho da vida, preciosa e transcendente. É inato, tenhamos a melhor profissão do mundo e ganhemos milhões ou sejamos o(a) mais humilde e modesto(a) trabalhador(a) que se debate com a pobreza. É tao só e apenas o estado em que nos encontramos. Um estado que só depende de nós alterar ou manter, pois a distância que separa o aprendiz do mestre é o empenho e as horas de treino que tem de avanço.

Assim, quando nos comprometemos verdadeiramente com algo e o procuramos desenvolver nas nossas vidas, caminhamos a largos passos para a sua maestria, dependendo esta do nosso ânimo, trabalho e dedicação.

O valor de cada um de nós é inequívoco e indiscutível.

Tentar. Errar. Aceitar os erros. Permitir-se falhar. Arriscar. Melhorar e corrigir a rota. E, com todo o conhecimento de que dispomos, seja por experiência própria ou através dos modelos que nos servem de inspiração, ajustar as nossas escolhas e decisões. Esta é a via para o verdadeiro sucesso, aquele que provoca um revolução e transformação interna e que nos faz realmente evoluir enquanto seres humanos, tornando-nos melhores do que antes de iniciarmos o processo e de assumirmos o compromisso com a nossa própria prosperidade.

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