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O que não falta são situações que nos possam ofender, magoar, revoltar ou entristecer, mas o oposto também é verdade. O mundo está igualmente repleto de coisas boas, experiências positivas e oportunidades para nos superarmos.

Podemos ver o copo meio vazio e focarmo-nos apenas no que não temos, no que escasseia ou, por outro lado, podemos escolher ver o copo meio cheio e focar a nossa atenção em tudo o que temos.

O copo é o mesmo, o que muda é a forma como escolhemos pensar em relação a ele e, consequentemente, o nosso comportamento irá ser necessariamente distinto.

Assim, a forma como entendemos os acontecimentos é determinante para os seus potenciais desenvolvimentos e respectivos desfechos.

Dito isto, parece coisa fácil, mas não é. É simples, mas nem sempre fácil, se não, não estaríamos aqui a viver esta experiência chamada vida.

Na grande maioria das vezes, não foi o dia inteiro que foi mau, não foi toda a experiência que foi desagradável, foram apenas uns 5 minutos ou pequenos acontecimentos que de tanto pensarmos neles os agigantámos e permitimos que tomassem conta do resto do nosso dia.

Por isso é tão importante substituir pensamentos negativos por gratidão. Esta substituição obviamente não vai alterar o acontecimento em si, mas vai, no entanto, operar uma transformação não só, na nossa forma de pensar e sentir o que aconteceu, como também, irá ser determinante para a forma como o vamos relativizar e ultrapassar, manifestando-se através de comportamentos mais positivos e decisões mais assertivas.

Ao colocarmos a nossa consciência em tudo o que temos de bom nas nossas vidas, expandimos a sua existência, suplantando assim, todo e qualquer sentimento inferior.

Sentir gratidão implica que dediquemos a nossa atenção ao lado bom da vida, à imensidão de coisas que se conjugam na perfeição para que simplesmente possamos estar aqui hoje, a todas as coisas que no nosso dia a dia apressado nem paramos para apreciar.

Aquilo em que focamos a nossa atenção tenderá a cruzar o nosso caminho, pois estamos consciente ou inconscientemente, a permitir que assim seja. Ao valorizar certas coisas estamos a perpetuar a sua existência, elas passam a existir dentro de nós e, mais dia menos dia, irão manifestar-se fisicamente na nossa vida.

Se optamos pelo papel de vítima num mundo opressor e sombrio e mantemos essa crença constante na nossa mente, é nessa perspetiva que vamos viver.

A partir do momento em que fazemos essa escolha, começamos a procurar à nossa volta a confirmação dessa concepção do mundo, tentando justificá-la e mantendo-a real para nós mesmos todos os dias. E vamo-nos afundando em informação que nos leva a acreditar que realmente é assim.

Se, ao invés disso, alimentarmos diariamente a nossa força interior e a crença de que somos naturalmente dotados dos recursos necessários para ultrapassar todas as experiências que se nos apresentam, sejam elas mais ou menos agradáveis, estaremos envolvidos numa melhor perspetiva do mundo e abertos à sua repercussão no nosso quotidiano.

Se algo hoje correu menos bem, tudo bem à mesma, há que saber aceitá-lo, faz parte do nosso processo de desenvolvimento, tal como faz parte também, aprender a lição e tentar melhorar.

A forma como olhamos para as coisas determina o impacto que têm na nossa vida, ou seja, ao transformarmos os nossos pensamentos, tornando-os pacíficos, proactivos, promotores de bem-estar, será mais fácil alterarmos o curso das coisas e transformá-las em experiências positivas.

Ao invés de procurar guerras e ser encontrado por elas, como meio de autoafirmação, expressando o argumento e a distinção, é muito mais útil ser percursor da tolerância, do respeito e da concórdia, pois tal como diz a música: “é muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa.”

Estamos todos aqui para superarmos os nossos medos e bloqueios, cada com no seu caminho com as suas próprias limitações, por isso, de pouco vale querer provar-se perante o outro, ser melhor do que ele, quando não conseguimos ser melhores do que nós mesmos, melhor do que fomos ontem, quando nem sequer nos esforçamos nesse sentido.

Haverá invariavelmente situações mais desagradáveis, mas é nelas que reforçamos a nossa capacidade de nos perspetivar como seres capazes de nos mantermos fiéis ao que acreditamos.

De nada vale lamentar, reviver dramas ou alimentar revoltas e frustrações, só estaremos a permitir que permaneçam dentro de nós.

Somos alunos da vida e como tal, vamos arriscando, tentando, errando e aprendendo. Temos de aprender a aceitar e compreender as consequências das nossas decisões para, partindo daqui, darmos o passo mais importante que é o de aprender a fazer escolhas.

Como ouvi certa vez: “não é da mordida da cobra que se morre, mas sim do seu veneno que nos circula nas veias. “ É crucial que nos empoderemos da nossa própria vida.

O conceito de poder pode ser um pouco controverso, mas se entregamos o leme do nosso destino a outra pessoa, facilmente andaremos à deriva. Este é um poder que é só nosso, só nós próprios sabemos por onde flui o rio que nos conduz de volta a casa. Só nós podemos ser os mestres desta embarcação que nos acolhe e a que chamamos corpo. É através dele que nos realizamos no mundo, devemos-lhe o nosso respeito e gratidão, sendo nosso dever cuidá-lo e nutri-lo da melhor forma.

É nosso dever, também, assumir o controlo do que circula no nosso organismo, isto é, do que permitimos que entre na nossa mente. Há que aprender a transformar a informação que nos chega, torná-la positiva ou substitui-la por algo bom, não permitindo que envenene os nossos pensamentos.

Só nós somos responsáveis pelo que se passa na nossa vida, não somos vítimas do acaso.

Somos responsáveis pela nossa própria felicidade. Os outros não têm o dever de nos fazer felizes, essa é tarefa nossa. Isto significa procurar aquilo que nos faz sentir bem, que nos permita evoluir para que nos possamos realizar através da expressão de quem somos e aí, partilhar esse estado de felicidade com o mundo.

Essa busca constante tem de ser nossa.

Ninguém pode caminhar por nós, nem nos levar ao colo, somos nós quem tem de fazer-se ao caminho.

Imagina a seguinte situação: preparas-te para sair de casa, já com a chave no bolso quando, de repente, falta a luz. Ao tentares tirar a chave do bolso ela cai no chão, mas está tão escuro que não a consegues encontrar. Olhas pela a janela e vês que as luzes ao fundo da rua estão acesas e decides procurar lá a tua chave.

Estranho, não é? Não faz o mínimo sentido!

Então porque é que tendemos a procurar fora de nós as nossas respostas?

Porque é que habitualmente nos recusamos a olhar para dentro e a escutar o que por lá se passa?

Porque é que damos maior importância ao que se passa fora de nós e permitimos que circule no nosso sistema interno (pensamentos, sentimentos e emoções)?

As circunstâncias e toda a conjuntura global, não devem justificar os nossos actos, não devem ser muletas para nos fazerem crer que não podemos ou não conseguimos por A, B ou C. São as nossas escolhas face a todos esses condicionalismos que determinam o sucesso e a materialização da nossa música no mundo.

A nossa vida traduz-se nas escolhas que vamos fazendo a cada segundo. Até mesmo a mais (aparentemente) insignificante decisão cimenta e está na base de grandes mudanças ou grandes bloqueios na nossa vida.

Assim, que os nossos olhos estejam sempre despertos para o lado mais positivo de tudo e a nossa capacidade de ser flexível nos permita adaptar e ultrapassar cada situação levando dela apenas o essencial para nos mantermos firmes no nosso caminho.

Que saibamos ser leves e tolerantes com os outros, mas exigentes connosco mesmo, não no sentido perfecionista ou de rigidez de raciocínio, exigentes no sentido de compromisso connosco, fiéis à aquilo em que acreditamos, não nos demovendo com atitudes e escolhas de alheias. Por mais que nos ofenda e revolte, só somos responsáveis pela forma como escolhemos reagir a todos esses factores externos. E é dessa “reacção”, dessa escolha consciente sobre o nosso comportamento, da nossa resposta perante cada situação, que nos iremos posicionar numa perspetiva mais positiva ou negativa, consoante os pensamentos que alimentemos a respeito.

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